Custo por refeição & impacto do desperdício: como calcular e reduzir perdas na alimentação escolar 

Controlar o custo por refeição é um dos grandes desafios da gestão alimentar em escolas. Cada prato servido envolve ingredientes, energia, mão de obra, embalagens e tempo de preparo. Quando parte dessa comida vai para o lixo, a conta pesa, não só no orçamento, mas também no impacto ambiental. 

O que compõe o custo por refeição 

O primeiro passo é somar todos os gastos diretos e indiretos que entram no prato. Além disso, os principais grupos são:

  • Ingredientes: alimentos in natura, industrializados e temperos; 
  • Mão de obra: salários, encargos e benefícios da equipe de cozinha e distribuição; 
  • Energia e água: gás, eletricidade, consumo de água na preparação e higienização; 
  • Insumos de apoio: detergentes, embalagens, guardanapos, produtos de limpeza; 
  • Depreciação e manutenção: desgaste de equipamentos, conserto de freezers e fogões. 

Exemplo: se o custo mensal total é R$ 90.000 e a escola serve 30.000 refeições por mês, custo por refeição = R$ 90.000 ÷ 30.000 = R$ 3,00. 

O peso do desperdício 

No Brasil, cerca de 30% de todos os alimentos produzidos são desperdiçados, segundo relatório do IBGE e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Além disso, em escolas, pesquisas apontam que os restos de prato (resto-ingestão) costumam superar 10% quando não há controle adequado de porções.

Suponha que sua escola tenha custo por refeição de R$ 3,00 e desperdice 15% do que produz. Além disso, isso significa que cada prato realmente consumido custa R$ 3,45 (3,00 + 0,45). Dessa forma, em um mês com 30.000 refeições, o desperdício de 15% equivale a R$ 13.500,00 literalmente jogados fora.

Como medir o desperdício? 

  • Pesar sobras de produção (o que não saiu da cozinha). 
  • Pesar sobras de bandeja (o que os alunos não comeram). 
  • Calcular o percentual: 
  • (Peso de sobras ÷ Peso total produzido) × 100. 

Exemplo: foram preparados 1.000 kg de alimentos no dia e sobraram 120 kg. Portanto, desperdício = 120 ÷ 1.000 × 100 = 12%. 

Cálculo do custo real da refeição 

Use a fórmula: 

Custo real por refeição = Custo planejado ÷ (1 − % de desperdício) 

Se o custo planejado é R$ 3,00 e o desperdício é 12%, então: 
3,00 ÷ (1 − 0,12) = R$ 3,41. 

Esse número revela o quanto cada refeição efetivamente custa, considerando o que vai para o lixo. 

Estratégias para reduzir custo e perdas

Planejamento de cardápio e compras
Além disso, elaborar cardápios cíclicos e baseados em consumo real ajuda a prever demanda com mais precisão. Usar o sistema PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai) evita vencimentos e garante melhor aproveitamento do estoque.

Porcionamento e controle de serviço
Além disso, adotar conchas e colheres medidoras padroniza o serviço e reduz desperdícios. Definir porções por faixa etária, com apoio de uma nutricionista, garante equilíbrio nutricional e segurança.

Educação e engajamento
Além disso, campanhas com alunos — como “prato limpo” e degustação de novos pratos — fortalecem a adesão. A comunicação com pais sobre a importância da redução de sobras reforça o vínculo entre família e escola.

Monitoramento contínuo
Além disso, pesar sobras diariamente permite identificar padrões e agir rapidamente. Registrar dados em planilhas facilita a comparação entre semanas e orienta decisões com mais precisão.

Exemplo prático completo 

Imagine uma escola com os seguintes números mensais: 

Item Valor 

  • Custo total (ingredientes, mão de obra, utilidades) – R$120.000 
  • Refeições servidas – R$40.000 
  • Custo planejado por refeição – R$3 
  • Desperdicio medido – 18% 

Cálculo: 

Refeições efetivamente consumidas: 40.000 × (1 − 0,18) = 32.800 

Custo real por refeição: 120.000 ÷ 32.800 = R$ 3,66 

Ou seja, R$ 0,66 a mais do que o previsto em cada prato. Em um ano letivo de 10 meses, isso representa cerca de R$ 264.000 em perdas. 

Economia e sustentabilidade de mãos dadas 

Calcular o custo por refeição e monitorar o impacto do desperdício são práticas que aumentam a eficiência financeira, reduzem a pegada ambiental e reforçam a imagem da escola perante pais e alunos. Além disso, com planejamento, porcionamento adequado e registro diário, é possível transformar a cozinha escolar em um exemplo de qualidade, economia e responsabilidade socioambiental.

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